Perdi o seu telefone

Hoje eu dei descarga no seu número. O fiz porque já não importa mais. Dei descarga em um guardanapo borrado que guardava no fundo de uma caneca de estimação no meu quarto, já que mesmo depois de apagá-lo da agenda do meu celular não conseguia coragem para me livrar do papel velho. Assisti a minha caligrafia infantil descendo molhado pelo vaso sanitário e me perguntei o motivo de ter guardado aquilo por tanto tempo. Não doeu.

Infinito e maravilhoso

unb2015

Nenhuma imagem expressa o ano de 2015 em sua totalidade, mas a UnB sempre será o retrato da minha felicidade nos últimos quatro anos e meio

2015 foi ótimo, né? Me sinto até indo contra a maré dizendo isso, mas para mim é a mais pura verdade. Passei os últimos anos me dedicando bastante aos estudos: a UnB era minha vida e prioridade total. Sempre. Mesmo que meu curso não seja lá o mais difícil do mundo de se formar (tenho consciência e não nego), mas tentei tirar algo a mais de toda a experiência. Até mesmo estagiei pouco, evitando trabalhar durante os semestres mais puxados, e mantive uma postura de exclusividade este ano.

Em 2014 eu trabalhei e economizei uma grana, porque este ano foi do meu TCC e da minha juventude. Somando tudo, cursei só 22 créditos durante 2015, para que pudesse fazer o melhor trabalho de conclusão de curso que conseguisse produzir diante da minha capacidade, tempo e área de interesse. Eu tenho orgulho dele. Não por ser o melhor trabalho que já vi na vida, não é e está longe de ser. Mas ele é tudo que eu queria que fosse e essa recompensa emprego nenhum me proporcionou.

Além disso, que me chamem de imprudente diante da circunstância, mas 2015 também foi o ano para gastar tudo que economizei em 2014. Eu nunca viajei tanto. Aproveitei a companhia dos meus amigos próximos, reencontrei amigos de longe, conheci gente nova, fiz umas maluquices de fã, fui na praia e vivi coisas que há muito nem lembrava como eram. Eu deixei ser e foi. Foi bem louco, foi bem intenso e foi incrível. Eu tenho um medo imenso de viver a vida e finalmente estou vencendo a batalha contra a covardia.

2016 será um ano de incertezas e eu sei das dificuldades. Terei um diploma e um mundinho meio hostil me esperando. O mercado de comunicação não é bom com os profissionais da área e quem não tem medo do desconhecido, afinal? Mas 2015 me preparou para lidar com isso ao me proporcionar felicidade e realização. Eu estou satisfeita com as minhas escolhas e pronta para um ano difícil em busca de novas oportunidades e vivências. Eu tenho muita sorte e a vida tem sido boa comigo. Por hoje, eu só tenho a agradecer. Que venha 2016.

Raiva

Eu detesto ficar triste, portanto estou sempre cheia de raiva. Tenho raiva quando fico frustrada, quando o que queria muito da errado e quando quebro a cara. Além disso, ainda por detestar a tristeza, acabo me alimentando também de inveja. Por que ele? Por que ela? Eu quero também, eu queria mais, eu mereço. Será?

Talvez os dois sentimentos (comparados com a tristeza, a frustração ou a decepção das quais corro) façam com que eu me sinta melhor a curto prazo, mas a longo prazo acaba comigo e com as pessoas próximas. Aprendi isso destro de casa e sempre desaprovei o comportamento, então como não consigo evitar repeti-lo?

Eu ainda não tinha visto esta atitude vinda da minha parte como um problema. Após quebrar a cara algumas vezes, só tinha cabeça para classificar como força e determinação. Mas isso não é verdade. Não há nada de errado em sentir, não há nada de grandioso em explodir.

Eu o amo, o compreendo agora, mas não quero cometer os mesmos erros. Não quero conquistar e perder as mesmas coisas, não quero ser igual tendo a chance de mudar.

Está na hora. Passou dela. É para ontem. Quero enfatizar minhas características positivas, ter a determinação de sempre e trabalhar melhor nisto, e não um sentimento de raiva travestido de força.

Deixemos a raiva para os lugares onde ela cabe e este é o primeiro passo de vários que ainda precisam ser dados. A época na qual eu precisava me defender com ira já passou.

Gorda, sim

plus

Eu sou gorda. Sempre fui. Já fui muito ou pouco gorda, mas magra nunca. Não sei o que é vestir P, não sei o que é usar um número menor que 42. Durante a maior parte da minha vida tive uma rotina de atividades físicas e alimentação mais saudável do que a maioria dos magros que conheço. Fiz capoeira (sou corda amarela), kickboxing, muay thai, dança de salão (forró, salsa, bolero e merengue), academia e mais de 10 anos de natação, tendo feito parte de equipe e competido em campeonatos.

Durante a minha adolescência eu fazia duas horas de exercício por dia de segunda a sábado. Durante quatro anos, não ingeria sucos com açúcar ou refrigerantes, além de não comer frituras e chocolate. Todas as minhas refeições eram controladas, ingerindo entre 900 kcal e 1000 kcal por dia. Eu pesava 67kg tendo 1m64 de altura. Vestia calça 42. Isso foi o mais leve que consegui ser. E você, quanto pesaria se fizesse tudo isso?

Já li vários textos e relatos sobre gordofobia que tratam da imagem feminina na mídia, os padrões inatingíveis e diversas outras coisas inumeráveis. Mas não é sobre isso que eu quero falar. Eu quero falar sobre como as pessoas dizem que é gordo quem quer. Pessoas hipócritas, sedentárias, que comem fast-food e preferem pegar o elevador do que subir um simples lance de escadas. Essa gente nasceu magra. O esforço que elas fazem para se manter assim é zero ou próximo disso. Eu não aceito gente assim me dizendo o que é ou não fácil para mim, o que é ou não possível, e o que é ou não simples força de vontade.

Emagrecer não é impossível para mim, passei a maior parte da minha vida em um meio termo no qual pesava mais que 67kg e menos do que hoje, que é o mais pesada que já estive. Passei muito tempo sem atividade física e ainda tenho dificuldades para voltar a comer da forma que queria, estou recomeçando agora, porque eu gosto de nadar e melhorar meu desempenho na piscina. Mas magra, de verdade, eu nunca vou ser. E você, magro, nunca vai saber o que é fazer tudo isso para se manter dentro do IMC recomendado pelas tabelas de academia.

Nunca escrevi sobre ser gorda, mas as pessoas nunca me deixaram esquecer disso. Não precisam me lembrar. Se hoje não me sinto à vontade para dizer um simples número em uma balança, sem dúvida a culpa não é exclusivamente minha. Apesar disso, nunca fui tão feliz quanto sou hoje, nem mesmo quando pesava meus 67kg. E eu nunca precisei machucar os outros gratuitamente para me sentir bem.

Agora já podem por um ponto final no ensino médio.

Jogos Vorazes e Divergente: semelhanças, diferenças e problemas

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IMPORTANTE: Vai ter muito spoiler. Leia por sua conta em risco.

Antes de mais nada, é importante ser transparente a respeito da minha preferência pessoal quanto as trilogias de Jogos Vorazes (Suzanne Collins) e Divergente (Veronica Roth): eu gosto mais da primeira, mas não sou apaixonada por nenhuma delas.

Suzanne já tem 52 anos e um histórico profissional gigantesco, enquanto Veronica é uma jovem de apenas 26 anos que se formou em um programa de escrita criativa. Então, apesar de considerar Jogos Vorazes mais bem construído, este fator equipara as duas trilogias para mim. As obras são boas e ruins em pontos diferentes e vejo a importância das duas para falar de assuntos delicados com o público adolescente, como os problemas envolvendo governos sem representatividade popular e as lutas de classes.

Pois bem, as duas obras se passam em futuros distópicos pós-apocalíticos. Elas são narradas em primeira pessoa por suas respectivas protagonistas adolescentes. Em Jogos Vorazes temos Katniss Everdeen e em Divergente a garota é Tris Prior, ambas de 16 anos. Apesar de não serem os modelos ideais de heroínas feministas, Katniss e Tris são ícones de sucesso importantes em uma era onde Bella Swan e Anastasia Steele vendem milhares de cópias e arrastam um monte de gente para o cinema.

O problema no caso de Divergente é que Tris não é carismática. A partir de Insurgente você já não torce mais por ela. A garota toma decisões baseadas em coisas sem nexo e arrisca a própria vida sem necessidade. Sei que a autora explica os motivos pelos quais ela age desta forma, mas eu não consigo considerar essas motivações boas o suficiente e ainda achar que a protagonista é uma personagem forte.

Quando Tris finalmente morreu eu não senti nada além de uma leve surpresa. Não fiquei triste, porque para mim ela era uma pessoa depressiva que já não estava mesmo com muita vontade de viver (apesar de dizer que sim). No último livro da trilogia, ela se descreve como séria, mas eu diria que Tris era triste. A protagonista de Divergente é emocionalmente estável, frágil e até mesmo insegura. Apesar de batalhadora e determinada, Tris têm um toque de Bella Swan e isto me incomoda profundamente.

Já Katniss é uma personagem pela qual eu consigo torcer. Apesar de expor o que a deixa mal e vulnerável (como o fato de ter matado pessoas durante os jogos), Katniss não fica batendo na mesma tecla o tempo todo. Ela compreende melhor que algumas decisões precisavam ser tomadas. A Katniss tem atitudes realmente corajosas, ao invés de somente estúpidas e ousadas. Ela queria viver. Quando quase abriu mão da própria existência foi com o objetivo claro de salvar outras pessoas. Ela pensou, não agiu de forma impulsiva.

Apesar deste aspecto positivo, acredito que Suzanne teve dificuldade em transmitir a essência de Katniss ao leitor, assim como com a maioria de seus personagens. Mesmo quando a protagonista de Jogos Vorazes tinha sentimentos intensos, eu não conseguia sentir junto. Ela era carismática, mas Tris me pareceu uma garota mais legítima e convincente. Fico inclinada, no entanto, a culpar a péssima tradução para o português da trilogia de Jogos Vorazes, um trabalho claramente mal feito.

Sobre a evolução dos personagens em geral, senti que em Convergente todos os coadjuvantes foram abandonados e Veronica só se preocupou com o casal principal. A trilogia termina com dezenas de histórias mal contadas ou esquecidas, fatos jogados na cara do leitor sem explicação. Eu queria entender direito o porquê do Peter ser daquele jeito agressivo e saber o que o Caleb tem a dizer a respeito das decisões ruins que tomou, mas fiquei a ver navios.

Já as poucas histórias mal contadas de Jogos Vorazes não me causam o incômodo que senti ao terminar Divergente. Quando uma obra se quer começa a narrar uma parte da história é uma coisa, mas quando o autor enche o livro de eteceteras é frustrante.

Algo que me deixou inquieta em Jogos Vorazes foi a quantia de páginas que Suzanne gasta descrevendo roupas, enquanto cenas mais importantes ficam mal explicadas e personagens permanecem sem backgrounds detalhados. Vejo que em Divergente a autora gasta mais energia falando dos sentimentos da protagonista, o que, mesmo que repetitivo, parece mais relevante do que figurinos.

A respeito dos romances, a preferência depende muito do gosto do leitor. Em Jogos Vorazes existe o triângulo amoroso, mas a parte física que o envolve é deixado um pouco de lado. Os conflitos acontecem muito mais dentro da cabeça da Katniss e os relacionamentos são muito menos físicos do que em Divergente. Além disso, a protagonista parece ser muito mais independente em relação a Gale e Peeta.

Este aspecto mais psicológico das relações de Katniss permitiu que Suzanne explicasse com cuidado as diferenças dos dois rapazes sem parecer artificial ou forçado. Gale é um rebelde revolucionário e guerreiro, ele é fogo como Katniss. Mas Peeta é calmo, protetor e amável, escolhendo ela acima de qualquer outra coisa. Os traços de personalidade foram mostrados com cautela e com uma naturalidade quase imperceptível, a narrativa flui.

Porém, os backgrounds de Peeta e Gale não foram bem construídos. O leitor até fica sabendo razoavelmente da vida deles, mas em geral só conhecemos a personalidade, não o histórico. Os personagens vivem em um distrito que leva a vida na miséria, portanto o background é implícito. A gente não sabe exatamente o que levou os personagens a serem como são.

O aspecto do background é levado muito mais a sério em Divergente. Quatro é tão protagonista da história de Veronica quanto Tris, sendo que no último livro ele até narra junto com ela. O leitor sabe tudo da vida dele: os medos, as vitórias, as derrotas, os porquês de cada um de seus traços de personalidade etc. E para quem gosta de um romance a obra tem 200% a mais deste fator do que Jogos Vorazes.

A Tris pode até demorar para chegar aos finalmentes com o Quatro, mas a cada dois capítulos tem uma cena de contato físico. Considerando a quantia absurda de pontas soltas que a autora deixou na obra só para inserir todo o romance, acredito que estas cenas poderiam ser cortadas sem prejudicar a história, mas foi o enfoque escolhido por Veronica.

Só o que me irrita no romance de Divergente é que Quatro e Tris nunca evoluem como casal. Durante três livros eles dizem que vão parar de mentir um para o outro e que vão melhorar como pessoas, mas voltam a cometer os mesmos erros idiotas. Parece um relacionamento que não é saudável e não caminha para lugar nenhum, onde ambos são muito dependentes um do outro.

Quanto aos problemas enfrentados por Katniss e Tris em suas histórias principais, eu também me identifico muito mais com a obra da Suzanne, e não por achar que esta fala de um problema maior do que Veronica. As duas trilogias trabalham com tramas muito sérias e importantes, mas em Jogos Vorazes as pessoas realmente resolveram o problema no fim. Eles derrubam o governo, instalam um novo sistema e param com os jogos.

Em Divergente é passada uma mensagem quase de paz mundial no fim da obra, enquanto não tem nada disso. A autora não fez jus ao universo que criou. Tris luta, luta, luta e morre para salvar uma cidade. Uma pequena região que está nas mãos de todo um país controlador. Eles não resolveram quase nada e parecem, de fato, não se importarem com isto. Os experimentos continuam acontecendo em outras regiões dos Estados Unidos, inocentes ainda estão morrendo e nós se quer sabemos quem são essas tais pessoas más do governo. Para mim não fez sentido.

Como conclusão, eu diria que Divergente tem um aspecto de imersão maior, tanto pela qualidade da tradução, quanto pela capacidade da autora que gerar compreensão a respeito dos sentimentos dos personagens. Ainda assim, todos em Jogos Vorazes são muito mais carismáticos e fortes, principalmente a protagonista. Suzanne deu uma conclusão mais satisfatória ao leitor e realmente resolveu o conflito da história.

Suzanne Collins e Veronica Roth são habilidosas de formas diferentes e qual obra o leitor vai preferir tem muito a ver com o que ele prioriza em um livro. Conflitos internos, romance, problemas familiares e um toque de ação: Divergente. Política, revolução, publicidade de guerra e força feminina: Jogos Vorazes.

Mas para quem realmente quer ler uma grande obra de futuro distópico baseada em um governo totalitarista e narrada em primeira pessoa, deixe as trilogias adolescentes de lado (que eu também adoro, para deixar claro) e procure em outras estantes da livraria. George Orwell está aí com 1984 fazendo este tipo de obra com excelência melhor do que ninguém, um grande próximo passo para quem adorou Jogos Vorazes e Divergente.

Fácil

Este texto é de 17 de fevereiro. Estava ainda decidindo se ia publicar, porque achava que era muita tolice divulgar algo tão pessoal sobre amor. Foi então que notei a redundância que era pensar assim e ter um texto com esta temática. Talvez uma publicação boba de adolescente seja o que preciso para me livrar da mania de infantilizar as coisas que sinto. Agradeço quem tiver paciência para ler, apesar de ser algo para mim.


Alguns de nós, humanos, passam o início da vida adulta tentando desaparecer com qualquer tipo de relação que fuja de uma total certeza de reciprocidade, buscando controlar situações incontroláveis. Temos medo de ouvir “não”, do fracasso e do que os outros vão dizer. Deixamos que sentimentos fortes passem sem contar para as pessoas, porque a essa altura já sabemos que é temporário.

Nossa vida se resume a viver o mais prático, a “ver no que vai dar”. O problema é que as coisas precisam de nós para acontecer, porque ninguém ganha na loteria sem comprar bilhete. Nos declaramos crescidos por não nos envolver e convencemos a nós mesmos de que esse é o auge da vida adulta e a prova da independência. Eu sou assim.

É difícil ir embora deste lugar quente e acolhedor que me mantém segura, quieta e sem ameaças externas. Eu tenho minhas alegrias e tristezas, derrotas e vitórias. Mas desaprendi mesmo foi a lidar com a rejeição pessoal de alguém, com o choro, com a paixão que não era nenhuma vergonha até os 17, mas hoje só a palavra já soa como besteira, como uma lamentação.

É mais fácil esperar que barreiras se formem e não seja mais necessário pensar a respeito. Logo a outra pessoa arrume alguém ou vai embora (ou você vai) e então se torna impossível, inviável. “Foi melhor assim, não é? Afinal, não ia dar certo mesmo”. Daí então passa. A adolescência é difícil, mas a vida adulta precisa ser assim mesmo: fácil. Sem dores. Cômoda. É como tem sido, mas eu não estou feliz.

Carta para Raila com 16 anos #QueridaEuMesma

Sei que você está passando por uma fase difícil, apesar de se envergonhar de dar tanta importância para os seus “problemas pequenos”, mas não tão insignificantes quanto você pensa. Quero que saiba que tudo bem ficar chateada com gente que te magoa, você não é infantil por isso. Não menospreze os seus sentimentos. Não deixe que as pessoas pisem em você e ainda te convençam de que a culpa foi sua. Não deixe que te façam acreditar que você não é uma boa companhia ou uma boa amiga. Você merece pessoas que te façam bem ao seu lado e está prestes a conhecer alguns dos melhores amigos que terá nos próximos anos, então não faça tanto esforço para agradar quem não valoriza suas qualidades.

Nós duas sabemos que você tem defeitos. E vai continuar tendo vários deles, não se preocupe muito com a busca por mudanças drásticas, não precisará delas para ser aceita pelos seus novos e melhores amigos. Esqueça todas estas pessoas que te deixam insegura a respeito do que falar ou não falar, em um futuro bem próximo você não vai mais precisar se culpar pelo que sente ou pensa.

Continue fazendo tudo que você ama! Nade, dance, vá ao cinema, leia muitos livros e escreva muitas fanfics. Tenha a mente aberta para aprender. Tudo isso vai moldar quem você se tornará no futuro. Mas não se autodeprecie pela sua aparência física ou sinta-se um lixo diante de recaídas bobas de dieta. Entenda: o problema não é com você. Não é ser magra que vai trazer a felicidade, porque quando você atingir este estágio vai estar tão gordinha quanto antes do Ensino Médio (prometo que estou trabalhando nisto sem o sofrimento que você enfrenta todos os dias).

Ah, sabe este moço que você ama tanto? Você pode viver sem ele. Um dia você vai perceber que o tipo de sentimento que tem construído neste relacionamento não é saudável, por mais que a intenção dele não seja te machucar. Sei que é complicado e o quanto ele é uma boa pessoa, mas ele está certo quando diz que vocês são diferentes demais para esta história dar certo. Seu destino é outro, algo totalmente diferente do que ele almeja para a vida dele. Siga em frente e deixe o tempo fazer o resto do trabalho, não molde o que você pensa a partir dos desejos de outros, mesmo que por amor verdadeiro.

Por fim, sei que você ainda não viveu muitos dias tranquilos, apesar da sua idade. A tristeza é uma regra e a alegria a exceção. Mas para que tudo melhore é preciso que você se lembre sempre: você não é, nunca foi e nunca será obrigada a nada disso que está se submetendo para não ficar sozinha. A solidão é melhor do que uma má companhia. Fique bem.