E quem vai vencer a Guerra dos Tronos?

Já faz um tempo considerável que estou envolta pelo universo de literatura fantástica medieval de As Crônicas de Gelo e Fogo – ou mais conhecida, devido a série da HBO baseada na obra, como Game of Thrones – autoria de George R. R. Martin. A série começou a ser publicada em 1996, possui atualmente cinco livros já lançados (tendo cada um de 700 a 1000 páginas) e previsão para a publicação de mais dois antes de chegar ao fim.

A história pode ser vista como tendo dois núcleos principais: o primeiro e o maior deles conta a história na Guerra dos Tronos, quando após a morte do rei Robert Baratheon as famílias mais importantes e poderosas dos Sete Reinos – Starks, Targaryens, Lannisters, Baratheons e outras aliadas ou com menor influência – disputam a posse do Trono de Ferro e o domínio dos Sete Reinos. O segundo núcleo é contado, em geral, pelo ponto de vista de Jon Snow, filho bastardo de Eddard Stark. Snow se junta a Patrulha da Noite, que tem a função de guardar a Grande Muralha que fica ao norte protegendo os Sete Reinos de um velho mundo sombrio e desconhecido, que esteve quieto por um longo tempo e parece cada vez mais próximo do despertar.

Apesar de muitas vezes comparada com outras obras, como O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien, publicada em 1954), As Crônicas de Gelo e Fogo possui uma leitura mais fácil e menos cansativa do que a proporcionada por Tolkien. Não deixando a desejar em nenhum dos pontos exigidos pelo seu público alvo, George R. R. Martin criou incontáveis personagens e diversas histórias menores durante o desenrolar da trama, além da indispensável fantasia do gênero, como dragões, lobos gigantes, alquimistas e outras criaturas ainda “para lá da muralha”.

Para as garotas que gostam de um bom épico fantástico, um dos pontos que se destacam em As Crônicas de Gelo e Fogo, respeitando a lógica de uma obra baseada na Idade Média, George R. R. Martin nos apresenta personagens femininas fortes, influentes e inteligentes. Já para quem não gosta de ler, mas ainda sim se interessa pelo gênero, a adaptação para a televisão feita pela HBO é incrivelmente fiel a original, sendo todas as cenas de violência e sexo muito bem feitas. Vale a pena cada hora gasta com a obra.

Glee – Minorias sem estereótipos

Passei os últimos quatro dias mergulhada em Glee e sendo obrigada a engolir tudo de ruim que havia, de forma preconceituosa, dito a respeito da série. Para quem nunca assistiu e associa automaticamente a High School Musical ou algo do gênero, assim como eu fiz, pare agora mesmo e apague essa imagem de sua cabeça. Assumo que com o tempo me tornei aversão a certos gêneros de livros, filmes e séries, principalmente os que envolvem colegial e conflitos de adolescência, mas dessa vez fui obrigada a aceitar meu erro e tirar o chapéu para Ryan Murphy, um dos principais criadores da série.

Glee fala dos excluidos, dos descriminados e dos comuns. O que isso tem de diferente? Hoje em dia mais nada, virou clichê. As minorias, juntas, se tornaram a maioria. Ninguém é perfeito e personagens perfeitas torna dificil a identificação do público, fazendo a indústria investir mais no assunto, o que explica, por exemplo, a presença do homossexualidade em praticamente qualquer obra de ficção da atualidade ou de filmes onde a garota sem nenhuma qualidade aparente encontra um principe encantando (ou um vampiro encantando, se querem que eu seja mais específica). Mas um roteiro não se torna original pelo assunto e sim pela forma como esse é trabalhado. Algumas histórias tentam imitar a vida real falando das minorias, mas são superficiais, unilaterais e extremistas. Por que uma pessoa gorda ou negra não pode ser o personagem principal de um romance comum, sem estereótipos? Por que um homossexual precisa ser sempre retratado como alguém não aceito pela família? Minorias e excluidos possuem uma personalidade e uma vida que vai além de seus rótulos, são seres humanos com outros defeitos e qualidades, problemas amorosos, vida social, alegrias, sonhos, derrotas e realizações. As pessoas crescem, a vida as vezes é injusta e outras vezes pode ser maravilhosamente generosa. Pode ser que precisemos abrir mão de um sonho por conta de outro, nem sempre se pode vencer, mas o importante é o que se tira de todas as experiências. É sobre essa complexidade humana que Glee fala, sobre os caminhos que podemos tomar durante a estrada da vida e as diversas coisas que podem acontecer sem que tenhamos absolutamente nenhum controle sobre isso. Além disso tudo a série ainda consegue ser divertido, leve e engraçado.

Talvez alguns fiquem desestimulados a assistir pelo estilo musical ou pelo simples fato de se tratar de um musical. Realmente, Glee não é eclético, a música pop e os clássicos dos musicais tem, claramente, prioridade no roteiro, mas devo dizer que chegou a um ponto que, de tão envolvida pela história, nem me importei mais se conhecia ou gostava das canções. Apesar das características básica dos musicais, como pessoas que hora ou outra começam a cantar do nada por qualquer motivo, para quem quer conhecer algo diferente e tem algum tipo de preconceito com o gênero, é uma opção maravilhosa de início.

 

Aos meus amigos fanáticos por Glee que me fizeram ter curiosidade de conferir a série, obrigada por darem um tapa na cara do meu preconceito.

Minha descoberta sobre Almodóvar

A Pele que Habito (La Piel que Habito, no original) conta a história de Robert Ledgard (Antonio Banderas), um médico cirurgião estético que, após perder sua esposa deformada pelo fogo em um acidente, começa a desenvolver uma pele resistente a diversas coisas. No entanto, durante esse processo, passa por cima de qualquer tipo de princípio.

A primeira vez que ouvi falar do filme espanhol A Pele Que Habito foi na faculdade, quando minha professora indicou e discursou sobre a genialidade do mesmo. Comentei com alguns amigos e eles disseram estar loucos para assistir e que Almodóvar (o diretor, roteirista e produtor) era fantástico. Tudo bem, intelectuais, cults e hipsters de plantão, já podem crucificar a estudante de comunicação que não conhecia Almodóvar: eu realmente não sabia o que estava perdendo até ver A Pele Que Habito.

Notei logo de início que Almodóvar não era o tipo de cineasta escrupuloso, na verdade A Pele Que Habito oscila entre o absurdo, o doentio e o trágico. Quem não assistiu não deveria procurar pelo trailer, é perda de tempo, ele não diz nada e, para ser sincera, não há como resumir fielmente essa obra sem entregar o que mais de fantástico ela tem: a surpresa e o bizarro, o que foi e continua sendo um choque para mim.

Ainda não vi outros filmes do Almodóvar, apesar de estar ansiosa para isso, mas considerando as ótimas recomendações – além das pessoas inteligentes e de grande bom gosto que as deram a mim – poderia dizer que A Pele Que Habito não é a primeira obra chocante do famoso cineasta espanhol Almodóvar. Já fica a minha dica para as férias.

 

PS: Relevem qualquer erro de digitação, eu fiz o texto porcamente no bloco de notas porque meu computador está sem o word. Desculpe o atraso com as postagens e com o assunto também, o filme já até saiu do cinema, mas está valendo. =) Estou com uns problemas (amigos já sabem) então perdi por um tempo o ânimo de escrever. Mas vou tentar retornar por agora.