FFIX – Cap. 01 – Ato 02

Toc. Toc. Toc. Toc. Acordou aos resmungos, esfregando o rosto. O cômodo estava escuro, quente e aconchegante, quase implorando para que continuasse ali. Toc. Toc. Toc. Toc. Suspirou e sentou-se, apalpando a mesa ao lado e acendendo o candelabro. O quarto encheu-se daquela luz dançante e quente. Passou a mão no rosto, afastando as mechas loiras que caiam sobre os olhos. Precisava de um corte de cabelo com urgência. Toc. Toc. Toc. Toc. Revirou os olhos e levantou-se, pegando a calça e o cinto jogados no chão, vestindo-os. Toc. Toc. Toc. Toc. Recolheu as duas adagas que estavam na mesa, enquanto os reflexos das chamas do candelabro se divertiam sobre suas lâminas, rodou-as no dedo e encaixou na bainha da calça. Colocou as botas. Toc. Toc. Toc. Toc.

– Está bem, chega, eu já levantei há cinco minutos. – Ralhou, empurrando a porta barulhenta e pesada de madeira do outro lado do cômodo, revelando a presença de um rapaz com cabelos muito vermelhos e mal cuidados, usando apenas uma velha calça de lona e botas, com o peito completamente a mostra. Blank era seu nome. – Já está mesmo na hora?

O rapaz que acabara de abrir a porta vestia-se da mesma forma que o outro, exceto por um colete de couro que usava aberto. Zidane era indiscutivelmente bonito, com olhos azuis cheios de malandragem e sempre com o peitoral a mostra, por mais que seu porte físico não chegasse a atlético. Era ágil e astuto. Tinha um ar travesso e piadista, não como quem faz rir, mas do tipo que irrita. Os lábios eram grossos e a ponta da língua sempre tinha um bom argumento, a principal coisa que podia se esperar de um pirata. Como diferencial possuía uma calda longa e de pelagem loira, como um macaco, algo completamente inexplicável e que ele nunca fizera questão de esconder, por mais que não soubesse o porquê dela existir.

– Era pra você estar acordado há meia hora. – Lembrou Blank, impaciente. – O Baku está insuportável.

– Ele está mesmo preocupado com isso? – Deu uma risada incrédula, enquanto caminhavam pelo corredor estreito e pouco iluminado de madeira, sem nenhuma entrada de ar além de algumas pequenas frestas. – Fala sério, Blank, nós precisamos capturar uma garota estúpida que estará usando vestido longo e salto alto. Serão as dez mil libras mais fáceis que já ganhei na vida.

– É, mas a garota estúpida tem o segundo exército mais poderoso do continente. – Lembrou-lhe, enquanto abria a porta no fim do corredor, revelando um cômodo infestado de luz.

Zidane demorou alguns minutos até acostumar-se com aquele fim de tarde tão iluminado e o lugar cheirava a mofo. Baku era um homem grande e gordo, que usava um chapéu de viking e estava sentado ao redor de uma mesa redonda. Acompanhando o líder do bando Tantalus, estava Prego, um homem baixinho e de cabeça chata, completamente embrulhado em suas roupas repletas de babados. Mais afastada, encostada na parede dos fundos, estava Ruby, uma moça de vinte e poucos anos, com cabelos tão loiros que faziam doer os olhos, usando um vestido vermelho extravagante de dançarina de bordel. Por último tinha Marcus, homem careca e musculoso, tão grande e largo quanto um armário, parado próximo a janela.

– Estamos sobrevoando Alexandria, então espero que ainda lembre do plano e esteja pronto, porque agora não dá mais tempo de revisar nada. – Informou o líder de forma ranzinza, apontando para a janela.

Zidane podia ver a paisagem que se movimentava lentamente lá embaixo, muitas casinhas, com seus pequenos telhados em tom pastel, todas próximas demais, quase desafiando as leis da física. Então aquela era Alexandria, o segundo maior reino de Gaia. Notava-se a grande diferença entre aquele lugar e o reino de Lindblum, onde crescera, tão maior e mais organizado. Tudo bem, era hora do trabalho.

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FFIX – Cap. 01 – Ato 01

O brilho do sol de fim de tarde que entrava pela janela refletia no branco do vestido longo, rodado e sem alças – deixando seu colo e um decote atraente a mostra – permitindo que visse no espelho o quanto havia crescido. A cintura era fina e os seios pequenos, porém o quadril era largo e bem arredondado, o corpo que geralmente uma dama de sua idade e classe social possuía, como as curvas de uma pêra. Rosto, nariz e lábios finos, delicados e discretos, dando espaço para os grandes olhos negros e profundos, cheios de conforto, mas sempre com um ar de que guardam um segredo travesso. Os cabelos – também pretos, escorridos, longos e pesados – estavam soltos, derramados em seus ombros como água escura, terminando um pouco antes de suas nádegas. Deixou o espelho de lado e caminhou até a janela, com sua cortina de veludo vermelho e pesado, sentindo a temperatura do piso de madeira em seus pés ainda descalços.

Era seu aniversário de 17 anos, a idade necessária para que assumisse um trono na terra de Gaia. Por mais que sua mãe ainda estivesse no poder era indispensável que naquela noite fosse realizada uma cerimônia oficial com sua coroação como princesa de Alexandria. Garnet respirou fundo, sentindo o cheiro de lavanda do jardim. Era primavera e, por mais que seu quarto estivesse em uma das torres altas do castelo, o aroma úmido das flores se espalhavam por todos os lados. O clima adorável e o cantar dos pássaros pousados no telhado costumava deixá-la sorrindo sem motivos, mas naquele dia não se sentia assim, estava tensa. Passara os últimos cinco anos de sua vida perguntando-se o que havia lá fora, o que tinha além daqueles muros e o que o mundo guardava para ela. Invejava os pássaros, mas essa seria sua chance, o local estaria cheio de pessoas importantes e a rainha havia até mesmo contratado um grupo teatral de outra cidade para entreter o público.

Calçando os sapatos e pendurando o seu colar no pescoço – uma grande pedra transparente, rara e desconhecida, segurada por um cordão longo de prata – retirou-se de seu quarto, apalpando a lateral da perna e sentindo o volume do que havia escondido por baixo de seu vestido, sua adaga. Caminhou tranquilamente e começou a descer as escadas em espiral que levavam ao salão central da residência, onde reis, príncipes, duques e outros membros da nobreza aguardavam ansiosos para recepcioná-la. Nas laterais da escada estavam General Beatrix e Capitão Steiner, as autoridades maiores da segurança real. Garnet levava um sorriso sereno no rosto e a Rainha Brahne, sua mãe, aguardava orgulhosa, sentada em seu grande trono no centro do cômodo. A autoridade maior do reino era gorducha e baixinha, usava um vestido longo e vermelho, com acessórios extravagantes e obviamente caros. Garnet beijou-lhe a face e observou enquanto a mãe pedia silêncio para começar o discurso, por mais que a partir de então só conseguisse pensar em sua tão próxima liberdade. Torcia para que tudo desse certo.

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Certo, eu quero explicar algumas coisas a respeito dessa postagem. Primeiro que essa história é uma releitura de um jogo de videogame, que eu sou particularmente apaixonada, chamado Final Fantasy IX. Em segundo lugar eu vou continuar contando, sempre que eu tiver afim, os acontecimentos dessa trama, que é longa e envolvente. Por último queria dedicar a postagem ao Geovanni, que ontem me fez lembrar dessa história adorável, mesmo que tenha sido sem querer. =) É isso, espero que gostem. Beijo.