Cafajeste

Uma verdade a respeito do mundo feminino é que mulher tem uma necessidade sem controle de enfrentar o desafio perdido que é o de consertar um cafajeste. Paz e tranquilidade não tem graça, para as mulheres legal mesmo é sofrer e ter viver perigosamente.

Você conhece aquele rapaz bonitinho, consciente, tímido e cavalheiro, ficando encantada logo de início, mas só bastando algumas semanas para a vida virar um tédio previsível, sem sal e com nenhum ciúme, já que você tem certeza absoluta da fidelidade do bom moço. O fim chega quando se começa a ver aquela criatura fofa da mesma forma que seu irmãozinho mais novo, então não dá mais.

Nesse momento surge na sua vida àquele cara – que muitas vezes nem sequer é bonito como o garoto angelical que abria a porta do carro pra você – dando aquele sorriso malicioso que te deixa constrangida só de imaginar o que ele pode estar pensando. Fala baixinho no seu ouvido enquanto passa a mão de forma casual pela sua cintura. Ele não vale nada e você tem absoluta certeza que aquele olhar mortal foi testado com centenas de outras mulheres (que, é claro, caíram na ladainha da mesma forma que você). Mas agora já é tarde, a paixão chegou e você acredita mesmo que dessa vez vai ser diferente, que conseguirá mudar o rapaz e ele vai, depois de vinte anos ou mais, tornar-se quase outra pessoa. É óbvio que vocês dois se amam e ele nunca faria com você o que fez com todas as outras garotas que, morando em Brasília, você já sabe quem são.

Você e o cafajeste começam a namorar, já que, como eu já disse antes, se amam. Pelo menos é o que você gosta de pensar, já que detesta a ideia de amor não correspondido. Na verdade, o que você muitas vezes não sabe é que estar comprometido ou não dá na mesma para ele, tirando que agora, caso não esteja muito afim de ter trabalho, é só ir a sua casa ou telefonar.  O cafajeste diz tudo o que você gosta de escutar, que quando não se trata de uma mentira é uma conveniente alteração da verdade.

Quando vai chegando o meio da relação (quase fim a essa altura do campeonato, dependendo de quem você for) você recebe a resposta do seu jogo de roleta russa. O rapaz pode mudar e se apaixonar de verdade por você, o que é muito raro e a artilharia usada até esse ponto deve ser pesada, como fingir desinteresse e dar ao cafajeste um trabalho sobrenatural, o mesmo que ele vai te dar caso você não o faça. Já para você o jogo está acabando quando ele começa a sumir, assim, de repente. Você morre de ciúmes, passa noites em claro e chora. Ele não liga e, mesmo você sabendo da reputação daquele ser irresistível e charmoso, ainda tem a coragem de, no fim das contas, dizer para todas as suas amigas que os homens não prestam e são todos iguais.

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