Eu, a religião e Deus

Eu frequentei a igreja católica mais ou menos entre os meus 12 e 17 anos. Por vontade própria e iniciativa pessoal. Meus pais nunca frequentaram ou falaram que eu deveria. Apesar de ter muitos cristãos na minha família, ninguém nunca tentou me puxar para nada, nem mesmo minha avó paterna, que viveu toda a velhice exclusivamente para isto.

Não posso dizer que não tive períodos de afastamento durante os cinco anos que fui católica, mas em geral eu estava presente só em acreditar tanto. Eu tinha fé e não tem como dizer do que se trata, porque fé é indescritível. As celebrações me encantavam e emocionavam. Quem já foi em uma missa sabe o quanto todo o ritual é bonito. Fui em tantas que conseguiria celebrar uma sozinha, decorei todas aquelas “deixas” do padre e as respostas para elas.

Fiz um ano de catequese, mas desisti. Eu morria de preguiça de estudar no domingo de manhã, além de que o curso estava mais me fazendo desacreditar do que acreditar naquela religião que escolhi. Eu gostava muito de Jesus e Nossa Senhora (dela em especial, um dos motivos pelos quais eu era católica e não protestante), mas aquelas histórias não davam para mim. Foi quando comecei a mudar em uma velocidade quase imperceptível.

Com o tempo notei que não eram só as histórias que não me convenciam, várias coisas estavam na mesma lista. Eu percebi que toda a beleza que eu via nas missas eram, na verdade, exceção. Na maioria das vezes eu estava mais atenta ao menino gatinho da primeira fileira ou pensando pra onde a galera ia depois da missa.

Minha comoção diante daquele ritual acontecia poucas vezes, em geral quando eu ia até a igreja me sentindo mal. Eu chorava bicas e saía muito mais leve. Mas como não? Era um ritual de redenção, socorro e, acima de tudo, esperança. Tudo é montado para causar essa sensação e junto com a fé o resultado já é esperado.

Depois desta análise nunca mais a minha vida na igreja foi a mesma e as pessoas de lá me irritavam. Para mim, aquele cara que disse para amar ao próximo como a ti mesmo deve estar em algum lugar se perguntando onde foi que os seus ensinamentos se perderam no telefone sem fio da existência humana. E o pior: entre as pessoas que mais diziam estar com ele.

Hoje não sou mais cristã e muito menos católica, mas não tinha como ser diferente. Eu nunca soube conviver bem com a incerteza e com regras que não posso contestar. Pergunte nas escolas que estudei: eu era uma rebelde. Sem causa ou com causa, mas nunca muito boa em servir sem questionar acima de todas as coisas. No entanto, também não sou ateia, para alguém com a fé que tive acho que nunca conseguiria.

Eu não acredito em religiões, livros sagrados ou deuses criados por homens e instituições. Cada um chama de Deus o que quer. Eu chamo de Deus o que considero mágico e anseio por entender, a raça humana ter chegado onde estamos hoje, a existência de um planetinha tão propício para o desenvolvimento da vida, um universo tão imenso e eterno e o amor verdadeiro diante de tantas coisas negativas neste mundo cheio de pessoas que, na prática, estão vazias de Deus.

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