7 respostas para quem é contra a legalização do aborto

Então você é a favor do aborto? A favor do assassinato de um bebê indefeso?

Não, eu não sou a favor do aborto e não acho que mulheres devam abortar. Bem pelo contrário, acho que existem outras formas de lidar com uma gravidez acidental e acredito que o governo precisa proporcionar as oportunidades para essas mulheres que escolhem ser mães ao invés de interromper a gravidez. Mas é importante entender que uma mulher que vai abortar o fará de qualquer maneira, sendo legalizado ou não. O aborto é uma medida desesperada de uma pessoa desesperada. Criminalizar o aborto não é proteger a vida de “bebês inocentes”, é permitir que mulheres morram todos os dias em mesas de açougue tentando tirar um feto.

 

Você é a favor da legalização do aborto agora, mas aposto que não queria que sua mãe tivesse te abortado.

Entenda: minha mãe não me abortou porque não quis. Como eu disse antes, a mulher que quer abortar vai fazer isso com a legalização ou sem a legalização, não é a lei que vai parar uma pessoa que está desesperada a esse ponto. E esse argumento do “não queria que fizessem isso contigo” é totalmente sem lógica até que alguém me diga que tem “várias memórias da época que era feto”. Um feto não tem consciência de si. Dependendo de quantos meses está a gravidez nem cérebro ele tem direito, quem dirá consciência.

 

Se legalizar vai virar bagunça e todos vão achar que não precisa mais se prevenir, que é só tirar depois. Os índices de abortos vão aumentar.

Esse argumento é totalmente sem fundamento. Em nenhum país onde o aborto é legalizado se ouve falar em pilhas de restos de fetos em hospitais ou algo do gênero. O aborto é um processo simples, mas ainda assim invasivo, ninguém em sã consciência vai preferir fazer dezenas de abortos a tomar um comprimido ou usar camisinha. Além disso, caso o aborto seja legalizado e feito em hospitais públicos, é possível fazer um acompanhamento psicológico com essas mulheres grávidas e talvez algumas delas até desistam do processo. A legalização e o controle podem ajudar a reduzir o número de abortos.

 

Existem vários métodos para se prevenir uma gravidez, mas na hora de fazer não pensou nisso. Agora tem que aguentar as consequências!

Vocês dizem que fetos são seres vivos e não podem ser ‘descartados’ dessa forma, mas chamam bebês de “consequência”. Crianças não são consequências, são coisa séria. Filho não pode ser tratado como um castigo para quem fez uma besteira, do tipo “fez agora vai ter que cuidar, para aprender o que é bom”. Crianças dão trabalho, custam dinheiro, dedicação e uma boa educação. Mães solteiras, de classe baixa e que precisam trabalhar o dia todo para ganhar pouquíssimo dinheiro podem não ter condições de dar isso para uma criança, ainda mais se for um filho que elas nem queriam no fim das contas. Daí depois que cresce e cai para a criminalidade diz que “bandido bom é bandido morto”.

Por fim, nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, todos podem falhar. E não finjam que vocês tomam pílula e usam camisinha ao mesmo tempo, porque é mentira. A gritante maioria das pessoas com vida sexual ativa usa só um método contraceptivo. Dessa forma, acidentes podem acontecer mesmo se prevenindo.

 

Se não tem condições de criar um filho, então entregue para adoção.

Existem no Brasil quase 30 mil famílias na lista de espera para adotar. O país tem 44 mil crianças e adolescentes vivendo em abrigos, mas em fevereiro de 2012 eram menos, 37 mil. Se tantas pessoas estão dispostas a acolher uma criança sem família, por que os números não param de crescer? Bem, apenas um em cada quatro pretendentes admite adotar crianças com quatro anos ou mais, enquanto apenas 4,1% das crianças cadastradas têm menos de 4 anos. Em março de 2013, eram apenas 227 em um universo de 5.465. Por isso, cada dia que passa nos abrigos afasta as crianças ainda mais da chance de encontrar um novo lar.

Os dados são de uma matéria publicada no jornal Em Discussão, do Senado Federal, em 2013. Então, o que te faz pensar que uma criança ir para um abrigo vai permitir que ela tenha uma vida digna? Para onde você acha que vai essa criança quando ela ficar maior de idade, não tiver sido adotada e precisar deixar o abrigo? Vai precisar de sorte.

 

E ainda por cima quer que tenha aborto gratuito no SUS? Eu não pago meus impostos para financiar esse tipo de crime.

Aborto é caso de saúde pública. Uma criança que nasce sem condições e sem assistência não é problema só da mãe, ainda mais a longo prazo. Nós já sabemos que mulheres que abortam o farão com ou sem a legalização, proibir não reduz o número de abortos. Mas se o serviço continuar inacessível quando legalizado as clínicas clandestinas vão continuar existindo. Além disso, as mulheres que mais precisam do serviço e morrem em ‘açougues’ são as de baixa renda, porque mulheres ricas pagam preços altíssimos para ir em algum país onde a prática seja legalizada e o faz por lá! Aborto não é só proteger mulheres, mas é, principalmente, proteger mulheres pobres.

 

Sou um homem contra a legalização do aborto.

Homem, esse assunto não é sobre você ou o que você pensa. Sabe por que? Porque você não tem um útero e não tem nem a remota ideia do que é pensar em ser mãe um dia. Vocês (homens) fazem aborto social todos os dias, abandonam mulheres grávidas como mães solteiras, se recusam a pagar pensão alimentícia e deixam que elas e os filhos se virem sozinhos. Mas sabe de uma coisa? Ninguém chama vocês de assassinos por isso, como se deixar uma criança para morrer de fome e frio não fosse um assassinato. Então não, vocês não têm voz ou o direito de ditar as regras da vida e do corpo de uma mulher.

Eu, a religião e Deus

Eu frequentei a igreja católica mais ou menos entre os meus 12 e 17 anos. Por vontade própria e iniciativa pessoal. Meus pais nunca frequentaram ou falaram que eu deveria. Apesar de ter muitos cristãos na minha família, ninguém nunca tentou me puxar para nada, nem mesmo minha avó paterna, que viveu toda a velhice exclusivamente para isto.

Não posso dizer que não tive períodos de afastamento durante os cinco anos que fui católica, mas em geral eu estava presente só em acreditar tanto. Eu tinha fé e não tem como dizer do que se trata, porque fé é indescritível. As celebrações me encantavam e emocionavam. Quem já foi em uma missa sabe o quanto todo o ritual é bonito. Fui em tantas que conseguiria celebrar uma sozinha, decorei todas aquelas “deixas” do padre e as respostas para elas.

Fiz um ano de catequese, mas desisti. Eu morria de preguiça de estudar no domingo de manhã, além de que o curso estava mais me fazendo desacreditar do que acreditar naquela religião que escolhi. Eu gostava muito de Jesus e Nossa Senhora (dela em especial, um dos motivos pelos quais eu era católica e não protestante), mas aquelas histórias não davam para mim. Foi quando comecei a mudar em uma velocidade quase imperceptível.

Com o tempo notei que não eram só as histórias que não me convenciam, várias coisas estavam na mesma lista. Eu percebi que toda a beleza que eu via nas missas eram, na verdade, exceção. Na maioria das vezes eu estava mais atenta ao menino gatinho da primeira fileira ou pensando pra onde a galera ia depois da missa.

Minha comoção diante daquele ritual acontecia poucas vezes, em geral quando eu ia até a igreja me sentindo mal. Eu chorava bicas e saía muito mais leve. Mas como não? Era um ritual de redenção, socorro e, acima de tudo, esperança. Tudo é montado para causar essa sensação e junto com a fé o resultado já é esperado.

Depois desta análise nunca mais a minha vida na igreja foi a mesma e as pessoas de lá me irritavam. Para mim, aquele cara que disse para amar ao próximo como a ti mesmo deve estar em algum lugar se perguntando onde foi que os seus ensinamentos se perderam no telefone sem fio da existência humana. E o pior: entre as pessoas que mais diziam estar com ele.

Hoje não sou mais cristã e muito menos católica, mas não tinha como ser diferente. Eu nunca soube conviver bem com a incerteza e com regras que não posso contestar. Pergunte nas escolas que estudei: eu era uma rebelde. Sem causa ou com causa, mas nunca muito boa em servir sem questionar acima de todas as coisas. No entanto, também não sou ateia, para alguém com a fé que tive acho que nunca conseguiria.

Eu não acredito em religiões, livros sagrados ou deuses criados por homens e instituições. Cada um chama de Deus o que quer. Eu chamo de Deus o que considero mágico e anseio por entender, a raça humana ter chegado onde estamos hoje, a existência de um planetinha tão propício para o desenvolvimento da vida, um universo tão imenso e eterno e o amor verdadeiro diante de tantas coisas negativas neste mundo cheio de pessoas que, na prática, estão vazias de Deus.