Para mim mesma…

É complicado quando se passa tanto tempo cometendo o mesmo erro e, de tão cansada, se priva do mundo para não repeti-lo mais uma vez. É verdade, eu sei que não se pode evitar o risco quando se deseja viver intensamente, mas como dizer isso para um coração machucado e medroso? Como mostrar a um cão maltratado pelos donos anteriores que o próximo é diferente? Quando tantos erros já foram cometidos, tantas mentiras ditas e voltei a ficar sozinha. Penso então de que valeu o sofrimento, quando a cautela me guardou de tantas mágoas. Mas também de quantos prazeres essa mesma não me privou? Queria acompanhar o ritmo da música que o mundo toca, mas infelizmente não sei viver assim. De que maneira fingir que minha covardia era força me fez mais feliz? E não dá para apenas voltar atrás e mostrar a verdade sobre quem sou, porque agora já não seria mais tão verdadeiro assim. Não sei mais me comportar de outra maneira, não sei mais deixar que as coisas fluam naturalmente. E a culpa não é de ninguém além de mim mesma, meu bem, que deixei as primeiras feridas abertas tempo demais.