Publicado por: Raila Spindola | 22/02/2012

Glee – Minorias sem estereótipos

Passei os últimos quatro dias mergulhada em Glee e engolindo tudo que havia dito a respeito da série. Para quem nunca viu e associa automaticamente a High School Musical ou algo do gênero, pare agora mesmo e apague essa imagem de sua cabeça. Assumo que com o tempo me tornei alguém preconceituosa com certos gêneros de livros, filmes e séries, mas dessa vez fui obrigada a aceitar meu erro e tirar o chapéu.

Glee fala dos excluidos, dos descriminados e dos comuns. O que isso tem de diferente? Hoje em dia mais nada, virou clichê. As minorias, juntas, se tornaram a maioria. Ninguém é perfeito e personagens perfeitas torna dificil a identificação do público, fazendo a indústria investir mais no assunto, o que explica, por exemplo, a presença do homossexualidade em praticamente qualquer obra de ficção da atualidade. Mas um roteiro não se torna original pelo assunto e sim pela forma como esse é trabalhado. Algumas histórias tentam imitar a vida real falando das minorias, mas são mal trabalhadas, superficiais, unilaterais e extremistas. Por que uma pessoa gorda ou negra não pode ser o personagem principal de um romance comum, sem estereótipos? Por que um homossexual precisa ser sempre retratado como alguém não aceito pela família? Minorias e excluidos possuem uma personalidade e uma vida que vai além de seus rótulos, são seres humanos com outros defeitos e qualidades, problemas amorosos, vida social, alegrias, sonhos, derrotas e realizações. As pessoas crescem, a vida as vezes é injusta e outras vezes pode ser maravilhosamente generosa. Pode ser que precisemos abrir mão de um sonho por conta de outro, nem sempre se pode vencer, mas o importante é o que se tira de todas as experiências e é sobre essa complexidade humana que Glee fala, além de conseguir ser divertido, leve e engraçado ao mesmo tempo.

Talvez alguns fiquem desestimulados a assistir pelo estilo musical ou pelo simples fato de ser um musical. Realmente, Glee não é eclético e a música pop tem prioridade no roteiro, mas devo dizer que chegou a um ponto que eu estava tão envolvida pela história que nem me importei mais se conhecia ou gostava das cações. Apesar das características básica dos musicais, como pessoas começando a cantar do nada e por qualquer motivo, para quem quer conhecer algo diferente e tem algum tipo de preconceito com o gênero, é uma opção maravilhosa.

Aos meus amigos fanáticos por Glee que me fizeram ter curiosidade de conferir a série.

Publicado por: Raila Spindola | 04/02/2012

Prazer, Raila, mas pode chamar de Raih também.

Tudo está meio esquisito aqui dentro, sinto falta de coisas das quais abri mão. Andei pensando se escrevia sobre ou se deixava isso para lá, afinal, eu já não sou mais aquela Raih do Inigualável que lamentava os sentimentos e morria de amor cinco vezes ao dia… Para ser sincera eu já nem sou mais a Raih, hoje quase ninguém me chama assim. Onde está a Raih? Pra dizer a verdade eu não sinto muita saudade dela, mas sinto um pouco de falta daquela falsa atenção que recebia.

Acho que posso por a culpa nos acontecimentos dessa semana que está terminando: conhecer gente nova, encontrar os meus amigos e rever pessoas do passado. Tudo bem, chega a ser ridículo falar de passado quando me refiro a menos de quatro meses e dizer amigos quando só se passaram seis meses, mas o tempo na minha cabeça corre diferente. Posso te amar em um mês ou um ano e durar pra sempre ou apenas uns quinze dias, por que não? Eu já gostei tanto de alguém por apenas umas semanas que poderia dizer que foi amor, mas eu não sei a partir de quanto tempo algo pode ser considerado amor de verdade… Será que existe paixão pela risada ao telefone e que isso também pode incluir rezar para que o outro alguém tenha sucesso em um dia importante de sua vida?  Houve uma época em que me importei mais com a definição de tudo isso, mas como já falei as coisas acontecem rápido demais na minha vida para que eu perca tempo tentando dar nome para tudo que sinto.

Enfim, eu estava falando sobre o quanto mudei sem mudar, na verdade minha vida mudou muito mais que eu, que só fui me adaptando – muito bem, inclusive – a tudo isso. No entanto às vezes bate a saudade daquela intensidade toda, por mais que fosse uma mentira. Era muito carinho e eu estava acostumando com ele antes de descobrir que era tudo falso. O amor agora é diferente e novo, é mais divertido e alegre, menos depressivo, porém um pouco mais frio. Eu sinto falta dos abraços, eram tantos e eu os tinha todos os dias. Não é questão de ganhos ou perdas, são só as mudanças, eu não voltaria atrás de qualquer forma, o que me obriga a terminar esse assunto sem sentido por aqui.

Publicado por: Raila Spindola | 26/01/2012

Minha descoberta sobre Almodóvar

A Pele que Habito (La Piel que Habito, no original) conta a história de Robert Ledgard (Antonio Banderas), um médico cirurgião estético que, após perder sua esposa que havia sido deformada pelo fogo em um acidente, começa a desenvolver uma pele resistente a diversas coisas. No entanto, durante esse processo, passa por cima de qualquer tipo de princípio.

A primeira vez que ouvi falar do filme espanhol A Pele Que Habito foi na faculdade, quando minha professora discursou sobre a genialidade do mesmo e disse que todos nós deveríamos assistir. Quando comentei com alguns amigos eles disseram estar loucos para ver o filme e que Almodóvar (o diretor, roteirista e produtor) era fantástico. Tudo bem, intelectuais e pseudo-intelectuais, já podem crucificar a estudante de comunicação que não conhecia Almodóvar, mas claro, eu realmente não sabia o que estava perdendo até ver A Pele Que Habito.

Notei logo de início que Almodóvar não era o tipo de cineasta escrupuloso, na verdade A Pele Que Habito oscila entre o absurdo, o doentio e o trágico. Quem não assistiu não deveria procurar pelo trailer, é perda de tempo, ele não diz nada e, para ser sincera, não há como resumir fielmente essa obra sem entregar o que mais de fantástico ela tem: a surpresa e o bizarro, o que foi e continua sendo um choque para mim.

Ainda não vi outros filmes do Almodóvar, apesar de estar ansiosa para isso, mas considerando as ótimas recomendações, além das pessoas inteligentes e de grande bom gosto que as deram a mim eu já poderia dizer que A Pele Que Habito não é a primeira obra chocante do famoso cineasta espanhol Almodóvar. Já fica a minha dica para as férias.

 

PS: Relevem qualquer erro de digitação, eu fiz o texto porcamente no bloco de notas porque meu computador está sem o word. Desculpe o atraso com as postagens e com o assunto também, o filme já até saiu do cinema, mas está valendo. =) Estou com uns problemas (amigos já sabem) então perdi por um tempo o ânimo de escrever. Mas vou tentar retornar por agora.

Publicado por: Raila Spindola | 27/11/2011

Querida Ana… – O Filme

Quando via os extras dos filmes – onde elenco, direção e produção se abraçam – nunca entendia direito o que era aquele vínculo criado. Mas agora eu sei, por mais amador que tudo possa parecer. Obrigada pelo esforço, por agirem com maturidade, compreensão, compromisso e competência. Foi delicioso trabalhar com vocês esse semestre e nenhum desses vínculos seria o mesmo sem Oficina Básica de Audiovisual. Que as amizades construídas continuem de pé e que as pequenas coisas ainda façam sentido daqui alguns anos.

Com vocês, “Querida Ana”:

 

 

Elenco:
Isabela Resende
Tereza Padilha

Direção:
Luiz Felipe Nascimento

Roteiro:
Raila Spindola

Direção de Arte e Fotografia:
Janaina Bolonezi
Thiago Amorim

Produção:
Jadde Lima
Jéssica Martins

Edição:
João Gusmão

Espero que gostem. =)

Publicado por: Raila Spindola | 02/11/2011

Novidades

Olá, olá.

Estou passando pra avisar que eu ainda vivo, por incrível que possa parecer. A faculdade está tensa, estou meio que deixando de dormir e comer pra fazer trabalhos, sabe? Essa postagem é pra dizer que, se tudo der certo, poderei atualizar o blog no final de semana. Além disso tenho uma novidade que é o fato de estar com um segundo blog, o Pena Mágina, em grupo com pessoas fantásticas, algumas das quais tenho no meu vínculo de amizade que escrevem melhor. Então, quem estiver afim de ler algumas postagens literárias legais (contos, crônicas, poemas, etc), provavelmente em breve teremos novidades por lá.

Então pra não dizerem que resolvi fazer uma postagem tosca pra falar da minha vida e divulgar meu blog novo, encerrarei com uma musiquinha. *-*

Desculpem ter desaparecido.

Beijinhos.

Publicado por: Raila Spindola | 12/10/2011

Cafajeste

Uma verdade a respeito do mundo feminino é que mulher tem uma necessidade sem controle de enfrentar o desafio perdido que é o de consertar um cafajeste. Paz e tranquilidade não tem graça, para as mulheres legal mesmo é sofrer e ter viver perigosamente.

Você conhece aquele rapaz bonitinho, consciente, tímido e cavalheiro, ficando encantada logo de início, mas só bastando algumas semanas para a vida virar um tédio previsível, sem sal e com nenhum ciúme, já que você tem certeza absoluta da fidelidade do bom moço. O fim chega quando se começa a ver aquela criatura fofa da mesma forma que seu irmãozinho mais novo, então não dá mais.

Nesse momento surge na sua vida àquele cara – que muitas vezes nem sequer é bonito como o garoto angelical que abria a porta do carro pra você – dando aquele sorriso malicioso que te deixa constrangida só de imaginar o que ele pode estar pensando. Fala baixinho no seu ouvido enquanto passa a mão de forma casual pela sua cintura. Ele não vale nada e você tem absoluta certeza que aquele olhar mortal foi testado com centenas de outras mulheres (que, é claro, caíram na ladainha da mesma forma que você). Mas agora já é tarde, a paixão chegou e você acredita mesmo que dessa vez vai ser diferente, que conseguirá mudar o rapaz e ele vai, depois de vinte anos ou mais, tornar-se quase outra pessoa. É óbvio que vocês dois se amam e ele nunca faria com você o que fez com todas as outras garotas que, morando em Brasília, você já sabe quem são.

Você e o cafajeste começam a namorar, já que, como eu já disse antes, se amam. Pelo menos é o que você gosta de pensar, já que detesta a ideia de amor não correspondido. Na verdade, o que você muitas vezes não sabe é que estar comprometido ou não dá na mesma para ele, tirando que agora, caso não esteja muito afim de ter trabalho, é só ir a sua casa ou telefonar.  O cafajeste diz tudo o que você gosta de escutar, que quando não se trata de uma mentira é uma conveniente alteração da verdade.

Quando vai chegando o meio da relação (quase fim a essa altura do campeonato, dependendo de quem você for) você recebe a resposta do seu jogo de roleta russa. O rapaz pode mudar e se apaixonar de verdade por você, o que é muito raro e a artilharia usada até esse ponto deve ser pesada, como fingir desinteresse e dar ao cafajeste um trabalho sobrenatural, o mesmo que ele vai te dar caso você não o faça. Já para você o jogo está acabando quando ele começa a sumir, assim, de repente. Você morre de ciúmes, passa noites em claro e chora. Ele não liga e, mesmo você sabendo da reputação daquele ser irresistível e charmoso, ainda tem a coragem de, no fim das contas, dizer para todas as suas amigas que os homens não prestam e são todos iguais.

Publicado por: Raila Spindola | 27/09/2011

Sem inspiração

O ventilador girava e girava. O cômodo estava extremamente quente e abafado, mesmo com o ritmo insistente do objeto do teto, que trabalhava com sucesso quase nulo. Helena estava deitada em seu colchão duro, de barriga para cima, observando os movimentos circulares. Um de seus braços descansava ao lado do corpo, enquanto o outro pendulava do lado de fora da cama, sentindo com a ponta dos dedos o chão frio de cerâmica, onde descansava, perto de sua mão, uma caneta mordida. A camiseta velha que vestira estava completamente colada ao corpo suado, assim como o lençol retorcido que na noite anterior cobria a cama. As cortinas fechadas cor de vinho balançavam discretamente, mérito apenas do ventilador velho, já que da janela aberta não se tinha nem uma leve brisa. Sobre a cama, ao seu lado, um caderno velho aberto em uma página em branco refletia a única luz do quarto, uma lâmpada amarelada, estática e pálida. Revirou-se levemente, sem mudar de posição. Estivera deitada ali mais tempo do que seu tempo permitia. Forçou-se a pensar pela última vez, sem sucesso. Deu um longo suspiro, quando uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto.

– Pensei que esse era o seu sonho. – A voz era familiar e o sotaque gaúcho inconfundível. Luciana, sua amiga, falava baixo e devagar.

– E é. – Helena confirmou, se perguntando o que alguém que morava em Porto Alegre estava fazendo ali em Brasília, sentada na beirada de sua cama.

– Então por que está chorando? – Perguntou, erguendo as sobrancelhas.

– Sinto-me incapaz. – Confessou Helena. – Incompetente, medíocre… Quando vocês começaram a mentir para mim?

– Nós? – Franziu o cenho. – Nós quem? Eu nunca menti para você.

– Mentiu quando disse que eu era boa. – Explicou. – Não só você, algumas outras pessoas também.

– Não seja tola, eu não menti a respeito disso. É o que eu penso de verdade. Quem são essas outras pessoas?

– As Carols, por exemplo. – Respondeu secamente, antes de virar-se para o outro lado da cama e ver mais duas pessoas de pé ao seu lado. Helena sentou, de supetão, arregalando os olhos.

– Ninguém aqui mentiu para você. – Informou Caroline, de braços cruzados. – Vai falar pelas costas agora, é?

– Eu não estava falando pelas costas… – Desmentiu, confusa. Caroline morava em Aracaju, lembrou.

– Nós e mais um monte de gente acredita no seu potencial e você diz que todos estão mentindo por causa das habilidades de outras pessoas e sua mania de competição? – Perguntou Carola, fitando o teto, com seu sotaque do interior de São Paulo. Sua presença ali também era um tanto quanto insensata, mas Helena começara a se acostumar com a ideia. – Esse ventilador vai te enlouquecer.

Luciana levantou, caminhou devagar até o outro lado do cômodo e escancarou as cortinas, deixando a luz de fim de tarde entrar pela janela aberta, apagando o brilho morto e estático da lâmpada. Caroline pegou o caderno velho e jogou sobre Helena, enquanto Carola segurava sua mão esquerda, apertando entre seus dedos a caneta que antes rolava pelo chão.

– Não vamos deixar que se comporte como uma derrotada tendo chegado onde está. – Disse Caroline. – Agora levanta e vai fazer por onde continuar tendo o nosso respeito, porque nenhuma de nós tem amiga perdedora.

Helena sorriu e suas cortinas estarem mais uma vez fechadas, a lâmpada amarelada acesa, o ventilador girando freneticamente a sua frente e sua roupa completamente grudada ao corpo. Sentou-se, olhou para a folha em branco do caderno ao seu lado e recolheu a caneta do chão, começando então a escrever esse texto.

Publicado por: Raila Spindola | 17/09/2011

FFIX – Cap. 01 – Ato 02

Toc. Toc. Toc. Toc. Acordou aos resmungos, esfregando o rosto. O cômodo estava escuro, quente e aconchegante, quase implorando para que continuasse ali. Toc. Toc. Toc. Toc. Suspirou e sentou-se, apalpando a mesa ao lado e acendendo o candelabro. O quarto encheu-se daquela luz dançante e quente. Passou a mão no rosto, afastando as mechas loiras que caiam sobre os olhos. Precisava de um corte de cabelo com urgência. Toc. Toc. Toc. Toc. Revirou os olhos e levantou-se, pegando a calça e o cinto jogados no chão, vestindo-os. Toc. Toc. Toc. Toc. Recolheu as duas adagas que estavam na mesa, enquanto os reflexos das chamas do candelabro se divertiam sobre suas lâminas, rodou-as no dedo e encaixou na bainha da calça. Colocou as botas. Toc. Toc. Toc. Toc.

– Está bem, chega, eu já levantei há cinco minutos. – Ralhou, empurrando a porta barulhenta e pesada de madeira do outro lado do cômodo, revelando a presença de um rapaz com cabelos muito vermelhos e mal cuidados, usando apenas uma velha calça de lona e botas, com o peito completamente a mostra. Blank era seu nome. – Já está mesmo na hora?

O rapaz que acabara de abrir a porta vestia-se da mesma forma que o outro, exceto por um colete de couro que usava aberto. Zidane era indiscutivelmente bonito, com olhos azuis cheios de malandragem e sempre com o peitoral a mostra, por mais que seu porte físico não chegasse a atlético. Era ágil e astuto. Tinha um ar travesso e piadista, não como quem faz rir, mas do tipo que irrita. Os lábios eram grossos e a ponta da língua sempre tinha um bom argumento, a principal coisa que podia se esperar de um pirata. Como diferencial possuía uma calda longa e de pelagem loira, como um macaco, algo completamente inexplicável e que ele nunca fizera questão de esconder, por mais que não soubesse o porquê dela existir.

– Era pra você estar acordado há meia hora. – Lembrou Blank, impaciente. – O Baku está insuportável.

– Ele está mesmo preocupado com isso? – Deu uma risada incrédula, enquanto caminhavam pelo corredor estreito e pouco iluminado de madeira, sem nenhuma entrada de ar além de algumas pequenas frestas. – Fala sério, Blank, nós precisamos capturar uma garota estúpida que estará usando vestido longo e salto alto. Serão as dez mil libras mais fáceis que já ganhei na vida.

– É, mas a garota estúpida tem o segundo exército mais poderoso do continente. – Lembrou-lhe, enquanto abria a porta no fim do corredor, revelando um cômodo infestado de luz.

Zidane demorou alguns minutos até acostumar-se com aquele fim de tarde tão iluminado e o lugar cheirava a mofo. Baku era um homem grande e gordo, que usava um chapéu de viking e estava sentado ao redor de uma mesa redonda. Acompanhando o líder do bando Tantalus, estava Prego, um homem baixinho e de cabeça chata, completamente embrulhado em suas roupas repletas de babados. Mais afastada, encostada na parede dos fundos, estava Ruby, uma moça de vinte e poucos anos, com cabelos tão loiros que faziam doer os olhos, usando um vestido vermelho extravagante de dançarina de bordel. Por último tinha Marcus, homem careca e musculoso, tão grande e largo quanto um armário, parado próximo a janela.

– Estamos sobrevoando Alexandria, então espero que ainda lembre do plano e esteja pronto, porque agora não dá mais tempo de revisar nada. – Informou o líder de forma ranzinza, apontando para a janela.

Zidane podia ver a paisagem que se movimentava lentamente lá embaixo, muitas casinhas, com seus pequenos telhados em tom pastel, todas próximas demais, quase desafiando as leis da física. Então aquela era Alexandria, o segundo maior reino de Gaia. Notava-se a grande diferença entre aquele lugar e o reino de Lindblum, onde crescera, tão maior e mais organizado. Tudo bem, era hora do trabalho.

Publicado por: Raila Spindola | 16/09/2011

FFIX – Cap. 01 – Ato 01

O brilho do sol de fim de tarde que entrava pela janela refletia no branco do vestido longo, rodado e sem alças – deixando seu colo e um decote atraente a mostra – permitindo que visse no espelho o quanto havia crescido. A cintura era fina e os seios pequenos, porém o quadril era largo e bem arredondado, o corpo que geralmente uma dama de sua idade e classe social possuía, como as curvas de uma pêra. Rosto, nariz e lábios finos, delicados e discretos, dando espaço para os grandes olhos negros e profundos, cheios de conforto, mas sempre com um ar de que guardam um segredo travesso. Os cabelos – também pretos, escorridos, longos e pesados – estavam soltos, derramados em seus ombros como água escura, terminando um pouco antes de suas nádegas. Deixou o espelho de lado e caminhou até a janela, com sua cortina de veludo vermelho e pesado, sentindo a temperatura do piso de madeira em seus pés ainda descalços.

Era seu aniversário de 17 anos, a idade necessária para que assumisse um trono na terra de Gaia. Por mais que sua mãe ainda estivesse no poder era indispensável que naquela noite fosse realizada uma cerimônia oficial com sua coroação como princesa de Alexandria. Garnet respirou fundo, sentindo o cheiro de lavanda do jardim. Era primavera e, por mais que seu quarto estivesse em uma das torres altas do castelo, o aroma úmido das flores se espalhavam por todos os lados. O clima adorável e o cantar dos pássaros pousados no telhado costumava deixá-la sorrindo sem motivos, mas naquele dia não se sentia assim, estava tensa. Passara os últimos cinco anos de sua vida perguntando-se o que havia lá fora, o que tinha além daqueles muros e o que o mundo guardava para ela. Invejava os pássaros, mas essa seria sua chance, o local estaria cheio de pessoas importantes e a rainha havia até mesmo contratado um grupo teatral de outra cidade para entreter o público.

Calçando os sapatos e pendurando o seu colar no pescoço – uma grande pedra transparente, rara e desconhecida, segurada por um cordão longo de prata – retirou-se de seu quarto, apalpando a lateral da perna e sentindo o volume do que havia escondido por baixo de seu vestido, sua adaga. Caminhou tranquilamente e começou a descer as escadas em espiral que levavam ao salão central da residência, onde reis, príncipes, duques e outros membros da nobreza aguardavam ansiosos para recepcioná-la. Nas laterais da escada estavam General Beatrix e Capitão Steiner, as autoridades maiores da segurança real. Garnet levava um sorriso sereno no rosto e a Rainha Brahne, sua mãe, aguardava orgulhosa, sentada em seu grande trono no centro do cômodo. A autoridade maior do reino era gorducha e baixinha, usava um vestido longo e vermelho, com acessórios extravagantes e obviamente caros. Garnet beijou-lhe a face e observou enquanto a mãe pedia silêncio para começar o discurso, por mais que a partir de então só conseguisse pensar em sua tão próxima liberdade. Torcia para que tudo desse certo.

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Certo, eu quero explicar algumas coisas a respeito dessa postagem. Primeiro que essa história é uma releitura de um jogo de videogame, que eu sou particularmente apaixonada, chamado Final Fantasy IX. Em segundo lugar eu vou continuar contando, sempre que eu tiver afim, os acontecimentos dessa trama, que é longa e envolvente. Por último queria dedicar a postagem ao Geovanni, que ontem me fez lembrar dessa história adorável, mesmo que tenha sido sem querer. =) É isso, espero que gostem. Beijo.

Publicado por: Raila Spindola | 15/09/2011

Incômodo

Sabe aquele dia em que você sente que fez coisas estúpidas e irremediáveis? Estou tipo assim hoje. Mas não é simplesmente a estupidez irremediável com diferentes motivos que me aborrece, é saber que os motivos são sempre os mesmos e que continuarei fazendo esse tipo de escolha em todos os próximos dias que eu viver, tudo pelo simples fato de eu ser assim. Não se trata de conformismo, eu diria que é apenas aceitação. Existe aquele momento em minha mente que penso: “Meu Deus, depois de tantos erros nunca mais farei isso.” Daí PIMBA! Seis meses e lá está a situação em que sinto vergonha por minha fraqueza diante de um novo erro.

O pior é que isso me incomoda de verdade, não só os erros em si. Tudo se trata de sucessões de pequenos incômodos pessoais. Primeiro fico incomodada, então faço algo sem pensar, ficando ainda mais incomodada pelo que fiz, depois fico incomodada por acreditar que tudo que acontece de ruim logo em seguida é conseqüência da minha atitude estúpida e irremediável. Está bem, talvez seja mesmo verdade, mas parte de mim diz que é mais provável que seja só paranóia.  Claro, isso tudo são só pensamentos sem embasamento racional nenhum, então não importa de qualquer forma.

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