Passei os últimos quatro dias mergulhada em Glee e engolindo tudo que havia dito a respeito da série. Para quem nunca viu e associa automaticamente a High School Musical ou algo do gênero, pare agora mesmo e apague essa imagem de sua cabeça. Assumo que com o tempo me tornei alguém preconceituosa com certos gêneros de livros, filmes e séries, mas dessa vez fui obrigada a aceitar meu erro e tirar o chapéu.
Glee fala dos excluidos, dos descriminados e dos comuns. O que isso tem de diferente? Hoje em dia mais nada, virou clichê. As minorias, juntas, se tornaram a maioria. Ninguém é perfeito e personagens perfeitas torna dificil a identificação do público, fazendo a indústria investir mais no assunto, o que explica, por exemplo, a presença do homossexualidade em praticamente qualquer obra de ficção da atualidade. Mas um roteiro não se torna original pelo assunto e sim pela forma como esse é trabalhado. Algumas histórias tentam imitar a vida real falando das minorias, mas são mal trabalhadas, superficiais, unilaterais e extremistas. Por que uma pessoa gorda ou negra não pode ser o personagem principal de um romance comum, sem estereótipos? Por que um homossexual precisa ser sempre retratado como alguém não aceito pela família? Minorias e excluidos possuem uma personalidade e uma vida que vai além de seus rótulos, são seres humanos com outros defeitos e qualidades, problemas amorosos, vida social, alegrias, sonhos, derrotas e realizações. As pessoas crescem, a vida as vezes é injusta e outras vezes pode ser maravilhosamente generosa. Pode ser que precisemos abrir mão de um sonho por conta de outro, nem sempre se pode vencer, mas o importante é o que se tira de todas as experiências e é sobre essa complexidade humana que Glee fala, além de conseguir ser divertido, leve e engraçado ao mesmo tempo.
Talvez alguns fiquem desestimulados a assistir pelo estilo musical ou pelo simples fato de ser um musical. Realmente, Glee não é eclético e a música pop tem prioridade no roteiro, mas devo dizer que chegou a um ponto que eu estava tão envolvida pela história que nem me importei mais se conhecia ou gostava das cações. Apesar das características básica dos musicais, como pessoas começando a cantar do nada e por qualquer motivo, para quem quer conhecer algo diferente e tem algum tipo de preconceito com o gênero, é uma opção maravilhosa.
Aos meus amigos fanáticos por Glee que me fizeram ter curiosidade de conferir a série.
Raila Spindola; Distrito Federal; 18 anos; virginiana; estudante de Jornalismo da Universidade de Brasília (UnB); nadadora não profissional; amante de comédias; rata de cinema; admiradora de cultura japonesa e dotada de uma curiosidade sem tamanho. [
: 26/01/2012 - 21h10m
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